segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Pedacinho de papel

Um dia escrevi seu nome num papel
Dobrei bem dobradinho
Mãos suando de satisfação
Coloquei numa caixinha
Deixando bem guardado, quase escondido
Coração acelerado
Já sabendo que aquele nome me traria algo além

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Guida


Senti o cheiro forte das flores

Margarida

Como num imenso jardim

Margarida

Brancas e amarelas

Margaridas

Acariciam meus dedos como veludo

Margaridas

Margarida

Homenagem à Mario Cravo Neto


A morte me veio num sonho

Levando com ela meu último suspiro

Presenteando-me com sua brancura alva, gélida

Me fazendo flutuar num caminho nunca conhecido

Aqui ficam todos

Todos aqueles que amo

Aqui deixo minhas lentes

Os meus olhos

Vi imagens belíssimas ao longo da vida

Fiz pupilas se dilatarem de alegria ou tristeza

Dilataram de emoção

Agora com os olhos fechados vejo a vida em preto e branco

A luz não tão boa

Fora de foco

Então vou indo

Olhos fechados

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Bela andava com pressa. Maldito salto alto que não a deixava correr. "Se estivesse com minha sapatilha já tava lá!". Pra piorar a situação ainda restavam as poças enlameadas da chuva que caíra a uma hora atrás. Não podia perder o horário. Essa seria sua chance de ganhar um dinheiro, mesmo pouco é bem verdade, mas seria seu, poderia realizar a tão esperada viagem. Enfim, chegou esbaforida na porta do prédio. Nunca havia entrado num edifício tão luxuoso. Pensou em ir ao banheiro ajeitar a roupa e os cabelos mas devido ao atraso, no elevador mesmo tentou melhorar sua aparência. Percebeu um furo no ombro do casaco. "Ângela me disse que essa porcaria era nova! Me empresta esse troço furado pô!". Ficou em dúvida se tirava o casaco. A blusa que usava por baixo era discreta porém muito simples, poderia não agradar. Andava meio desengonçada com toda aquela roupa, não estava acostumada com tudo aquilo. E aliás, agradar era o que Bela não acreditava conseguir. Sentia-se feia, era pequena, cabelo maltratado, pele ressecada. Sentia-se esperta, um pouco inteligente, mas sabia que tinha muito a aprender nessa vida. O elevador parou: 17º andar. Sala 1707 era seu destino. Tava escrito no papelzinho. Tentou andar um pouco mais devagar para não demonstrar desespero, mas por dentro... O coração estava saindo pela boca. Pediram que sentasse e aguardasse a sua vez para a entrevista. Odiava ter que esperar, mas era o jeito. Balançava as pernas. Pensamento positivo. Balançava as pernas ainda mais. Pensava no dinheiro, carteira assinada, a viagem daqui a um ano. Uma hora depois chegou a sua vez. Permaneceu na sala durante vinte minutos. Quando se despediu, apertou a mão do coordenador com um tremor que nunca havia sentido. Tremendo sim, mas com um sorriso largo no rosto. Bela estava empregada. A partir de segunda-feira trabalharia naquela lanchonete americana famosa, e o melhor, dentro do shopping no centro da cidade. Seria responsável pela limpeza. Deixaria tudo limpinho, "um brinco!". Quem sabe um dia fosse promovida à cozinha? Isso planejaria depois, o importante agora era juntar seu salário e buscar seu pequeno Luiz lá no sertão do Rio Grande do Norte.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Aqui dentro


Abra a minha cabeça

E saia sem se despedir

Sua presença aqui só lateja, pulsa

Quebra meus pensamentos abruptamente

Saia

Corra de mim

Fuja pois já não suporto ter você aqui dentro

Minha dor, perca-se!

Perca-se de mim

Me livre da posse

Deixe-me dormir e sonhar

Respirar fundo sem sentir você

sexta-feira, 3 de julho de 2009


Olha o meu peixinho

nadando solto no mar

Meu peixinho amado

nunca de mim fugirá

Solta bolhinhas a todo tempo

Será que pode se sufocar?

Ai meu peixinho como queria ser você

Percorrendo esse marzão de meu Deus

sem precisar colocar os olhinhos fora do mar

Mas faça isso ao menos uma vez, por favor

Venha me olhar

Pois tenho amor pra sempre te dar

Carência é que nem fome... quanto mais a gente tenta controlar ou mesmo esquecer mais forte fica... Já a solidão... que tristeza... devia viver só, só com ela mesma. Mas sempre vive em companhia de alguém, não sabe viver desgarrada. Ultimamente agarrou-se a mim... Não sei ao certo se há parceria entre as duas, carência e solidão, mas ultimamente estão cada uma de um lado, uma mão de cada... No entanto, tenho livre as minhas pernas... posso correr, quem sabe voar, bater asas e me livrar da solidão e da tristeza.