sexta-feira, 16 de julho de 2010

Jujubas


Fernandinho adorava jujubas.
Doces e coloridas, açucaradas e macias. Brincava em saborear suas cores preferidas primeiro. Vermelha, roxa, amarela. Fica pra depois a laranja e a verde. Aquela boca rosa por natureza ficava toda açucarada a mastigar aquelas pequenas delícias. A mãe teimava em limpá-la mas era assim que ele gostava. "Boca de açúcar". E qual o problema? Assim tudo fucava mais doce pra Fernandinho.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O Grito


Atordoada. O coração acelerado não suportava mais tamanho escândalo. O som dos motores e das buzinas, da chuva, das vozes, do vento. Os ouvidos não suportavam mais. O coração acelerado. As pupilas dilatadas. O coração acelerado. Os músculos fadigados. O coração acelerado. Olhava ao redor, buscava uma saída, uma brecha. Sentiu-se aprisionada, acorrentada. Um, dois, três... Respirava tentando se fortalecer, oxigenar seu corpo e explodir. Explodir como uma bomba em cima de tudo e de todos. Estava exausta. Desiludida. Raivosa. Revoltada. Correu contra o tempo, contra as palavras, contra tudo e contra todos. Apagar da sua memória toda aquela tragédia. Abre e fecha os olhos. Uma, duas, três... De volta ao silêncio...

terça-feira, 6 de julho de 2010

O Lenço


Hoje no ônibus vi uma senhora de lenço amarrado na cabeça. Era bonita, gorda e bem disposta. No entanto, era nítida a sua doença. Faltavam-lhe os cabelos. Olhei bem os seus olhos e não via tristeza. Fiquei pensado... Pensando quanto vale o choro. Já chorei por muitas coisas nessa vida. Choro de dengo, choro por fome, choro de dor, de saudade, de perda, de muitas perdas, choro de felicidade. Choramos muitas vezes, por muitas coisas. Inclusive por motivos banais. Choramos por drama, tensão exagerada. A mulher do lenço não chorava e cheguei a pensar que ela deveria estar chorando. Mas não estava. Pelo contrário, ela sorria. Sorria verdadeiramente. Fazia questão de conversar com quem sentava ao seu lado transmitindo alegria, espontaneidade. E seus olhos brilhavam. Chegou enfim o momento de me levantar e ir embora. Me agoniei por sair dalí e não ter estado mais próxima dela. Foi então que na pressa da saída, dos pedidos quase infinitos de "com licença", não resisti e perguntei: "Por favor! Que horas são?"

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Uma segunda-feira


De olhos fechados sonhava estar em algum lugar distante. Uma brisa fresca alisava sua pele. Sentia o prazer da tranquilidade, do silêncio, do sono. Alguém aproximáva-se, dizendo coisas estranhas, intrigantes. Tinha um ceceio engraçado e andava rápido. Acordou e decidiu iniciar um diálogo com aquela criatura esquisita. Foi em vão. Aquela figura já havia partido. Com pressa sumiu no horizonte. Decidiu sentar-se ao chão. Estava embaixo de uma árvore e muitas formigas perambulavam pelo seu corpo num fazer cócegas altamente estimulante. Olhou ao seu redor e percebeu que havia um mundo ao seu redor. Uma estrada à caminhar. Mas batia uma preguiiiiiiiiiiiiiiiça! Nossa, quanta moleza! Pensou: "Levante-se cara! Está na hora de ir! Você tem muito a fazer nesse lugar!". De onde vinha aquela voz não sabia. Mas o som estridente do despertador às 6:00hs era sua certeza. Levante-se! Até sexta-feira sonhar nem pensar!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Minha serenata


Hoje eu desejei uma serenata Daquelas antigas com canções de amor explícito Que a moça bonita ouve da janela alta de uma casa branca com cheiro de flor Uma serenata doce com olhos cheios d'água E banhar-se de um abraço forte, ligeiro Eterno Uma serenata doce... Pra te cantar com a lua cheia

sábado, 3 de abril de 2010

É só um carinho
Um cafuné
Um cheiro no cangote
Um abraço... de "urso"!
Um olhar
Um dar a mão
Só um carinho
Aquele cochicho no pé do ouvido
O suspiro da mais plena felicidade
Tudo isso
E é só um carinho pra gen
te ficar assim

Sem mais


Algo escondido à sombra
Algo alí
À minha frente
Fez-se presente aos meus olhos
O coração que estava leve
Despencou
Lacrimejou os olhos
O riso entre os lábios deu lugar a um gosto amargo à boca
As palavras ditas não assumem seu lugar
Me sinto fraca
Nua

Fechando os olhos
Tentando não acreditar
Mas está alí
Escrito
Lido
Tudo aquilo que você não me disse.