Hoje no ônibus vi uma senhora de lenço amarrado na cabeça. Era bonita, gorda e bem disposta. No entanto, era nítida a sua doença. Faltavam-lhe os cabelos. Olhei bem os seus olhos e não via tristeza. Fiquei pensado... Pensando quanto vale o choro. Já chorei por muitas coisas nessa vida. Choro de dengo, choro por fome, choro de dor, de saudade, de perda, de muitas perdas, choro de felicidade. Choramos muitas vezes, por muitas coisas. Inclusive por motivos banais. Choramos por drama, tensão exagerada. A mulher do lenço não chorava e cheguei a pensar que ela deveria estar chorando. Mas não estava. Pelo contrário, ela sorria. Sorria verdadeiramente. Fazia questão de conversar com quem sentava ao seu lado transmitindo alegria, espontaneidade. E seus olhos brilhavam. Chegou enfim o momento de me levantar e ir embora. Me agoniei por sair dalí e não ter estado mais próxima dela. Foi então que na pressa da saída, dos pedidos quase infinitos de "com licença", não resisti e perguntei: "Por favor! Que horas são?"
De olhos fechados sonhava estar em algum lugar distante. Uma brisa fresca alisava sua pele. Sentia o prazer da tranquilidade, do silêncio, do sono. Alguém aproximáva-se, dizendo coisas estranhas, intrigantes. Tinha um ceceio engraçado e andava rápido. Acordou e decidiu iniciar um diálogo com aquela criatura esquisita. Foi em vão. Aquela figura já havia partido. Com pressa sumiu no horizonte. Decidiu sentar-se ao chão. Estava embaixo de uma árvore e muitas formigas perambulavam pelo seu corpo num fazer cócegas altamente estimulante. Olhou ao seu redor e percebeu que havia um mundo ao seu redor. Uma estrada à caminhar. Mas batia uma preguiiiiiiiiiiiiiiiça! Nossa, quanta moleza! Pensou: "Levante-se cara! Está na hora de ir! Você tem muito a fazer nesse lugar!". De onde vinha aquela voz não sabia. Mas o som estridente do despertador às 6:00hs era sua certeza. Levante-se! Até sexta-feira sonhar nem pensar!
Hoje eu desejei uma serenata Daquelas antigas com canções de amor explícito Que a moça bonita ouve da janela alta de uma casa branca com cheiro de flor Uma serenata doce com olhos cheios d'água E banhar-se de um abraço forte, ligeiro Eterno Uma serenata doce... Pra te cantar com a lua cheia
É só um carinho
Um cafuné
Um cheiro no cangote
Um abraço... de "urso"!
Um olhar
Um dar a mão
Só um carinho
Aquele cochicho no pé do ouvido
O suspiro da mais plena felicidade
Tudo isso
E é só um carinho pra gente ficar assim
Só
Algo escondido à sombra
Algo alí
À minha frente
Fez-se presente aos meus olhos
O coração que estava leve
Despencou
Lacrimejou os olhos
O riso entre os lábios deu lugar a um gosto amargo à boca
As palavras ditas não assumem seu lugar
Me sinto fraca
Nua
Só
Fechando os olhos
Tentando não acreditar
Mas está alí
Escrito
Lido
Tudo aquilo que você não me disse.
Tava com saudade
Saudade das palavras
Do chiado do lápis no papel e do tilitar das teclas
Saudade do texto na tela
Das bochechas levemente rubras
Dos olhos úmidos
Do sorriso maroto ao olhar
Tava aqui bem pertinho mas escondida
sem vontade mas cheia de sentidos, palavras e força
Tava só quietinha
Correndo atrás de sonhos
Um dia escrevi seu nome num papel
Dobrei bem dobradinho
Mãos suando de satisfação
Coloquei numa caixinha
Deixando bem guardado, quase escondido
Coração acelerado
Já sabendo que aquele nome me traria algo além